
Instituto Peabiru Paulista
Instituto Histórico Geográfico Cultural Turístico e Ambiental
O GOLPE DE VARGAS E AS BATALHAS DA REVOLUÇÃO DE 32 EM CAPÃO BONITO
Na década de 1930 o Brasil que era um país republicano “bebê”, pois a República brasileira tinha sido criada apenas há 41 anos e começava lentamente a se industrializar e modernizar-se, mas a Economia ainda era sustentada pelos agronegócios, cujo produto principal era ainda o café.
As elites Brasileiras eram nesse período compostas por grandes latifundiários de terras do sul, sudeste e nordeste, pois os Estados do Centro-Oeste e do Norte ainda estavam sendo desbravados e não tinham uma grande economia e uma Elite forte.
Desde 1894 o Brasil vinha evoluindo numa tradição republicana, na Economia, nas instituições de Estado e nos Serviços Públicos, apesar de não deixar de ter alguns problemas aqui e acolá, como as fraudes no voto impresso (títulos falsos, compra de votos, favorecimento nas contagem e o voto de cabresto do Coronelismo).
Em 24 de Outubro de 1929 aconteceu algo terrível, a Bolsa de Valores de Nova Iorque nos EUA quebrou por fraudes especulativas, levando à falência muitos investidores e empresas, os preços dos produtos despencaram de uma hora para outra.
O preço do maior produto de exportação, o café, perdeu o seu grande valor, pois qualquer crise econômica o que se corta primeiro é o desnecessário, e por isso muitos deixaram de comprar café para só comprar o básico.
Nesse contexto de Crise Econômica Mundial e aqui, sagrou-se eleito presidente do Brasil o advogado, fazendeiro e político paulista de Angatuba (que naquela época era distrito de Itapetininga), Júlio Prestes, que enfrentou o político e ex-sargento Getúlio Vargas.
Inconformados com a derrota a Aliança de Getúlio Vargas alegou fraude nas eleições e as Forças Armadas lideradas por Getúlio Vargas deram um golpe de Estado, destituindo o Presidente Washington Luiz e impedindo Júlio Prestes de assumir como novo presidente eleito do Brasil.
GETÚLIO VARGAS E COLABORADORES
Após o golpe militar, Getúlio Vargas anulou a Constituição de 1891, fechou o Congresso Nacional, extinguiu os partidos políticos, criou o “Governo Provisório” e começou a governar como ditador por meio de decreto-lei.
Nos estados não havia mais eleições para governador, Vargas depôs os antigos governadores e nomeou pessoas da sua confiança, para governar cada estado brasileiro – os interventores.
No Estado São Paulo, os paulistas seguiam inconformados com essa situação, então após dois anos, começaram fortes críticas nos jornais paulista à Vargas e, também, vários protestos populares pedindo a redemocratização, eleições diretas e uma constituição.
Em 23 de Maio, num protesto, quatros jovens foram mortos por militares de Vargas: Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Américo Camargo de Andrade.
Em homenagem aos estudantes mártires foi criado o Movimento Constitucionalista MMDC (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo), cujo objetivo era redemocratizar o Brasil depondo o ditador Getúlio Vargas, realizar eleições diretas e dar ao país uma nova Constituição.
O movimento MMDC agregava políticos, jornalista, empresários, intelectuais, artistas, trabalhadores, professores e estudantes. O Movimento MMDC tentou unir forças com outros estados para o levante contra Vargas, mas as alianças fracassaram e o Estado de São Paulo ficou sozinho na contra as forças militares (Exército, Marinha e Aeronáutica) da Ditadura de Vargas.
Em 1º de outubro de 1932, quatro meses após o início da Revolução Constitucionalista de 32, os paulistas se renderam, por dois motivos: não tinham soldados suficientes para enfrentar as tropas de Vargas e nem mantimentos e munição para manterem as suas tropas.
AS BATALHAS 32 EM CAPÃO BONITO
Antigamente todas as trilhas de Peabiru (caminho pisado) se tornaram estradas de terras que ligavam as cidades da região também se tornaram a rota dos que iam e vinham do sul do Brasil por Itapeva, Itararé, Ribeira, Iporanga, Apiaí, Guapiara, Ribeirão Grande e Ribeirão Branco e desembocavam num único lugar estratégico: Capão Bonito.
Devido a ser um local estratégico foi decidido pela Resistência Constitucionalista que a defesa da frente sul seria feita em Capão Bonito para impedir qualquer avanço até a capital – São Paulo.
Coube ao Regimento de Cavalaria do Rio Pardo da Antiga Força Pública (hoje Polícia Militar), sob o comando do Capitão Alfredo Feijó, segurar e dar combate às tropas militares sulistas. Houve combates próximos à Buri, Guapiara e Ribeirão Branco, próximo à divisa entre Capão Bonito e Itapetininga.
Os soldados e voluntários do Regimento de Cavalaria do Rio Pardo cavaram várias trincheiras ao longo de 65 km próximo à cidade Capão Bonito para tentar deter o avanço das tropas vindas do sul. Ainda hoje, às vezes, se encontram alguns artefatos dessas batalhas, tais como restos de rifles, granadas, morteiros, cartuchos, facas e capacetes.
Embora tenha havido tentativas para criar um museu histórico e turístico para preservar a história e esses locais, isso ainda não possível.
Saiba que há muitas coisas sobre a Revolução de 32 em Capão Bonito que ainda não foram contadas. Gostou de saber mais sobre essa história da Revolução Constitucionalista de 32 em Capão Bonito ?
Ainda temos a história dos indígenas, do ciclo do ouro, do tropeirismo, da imigração e da fundação da cidade. Saber preservar essas Histórias que nos enche de orgulho é dever de todos nós.
Klebert C. Ferreira
Prof. de História



